O estilo gótico

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  • 1. O ESTILO GTICO Antnio Rocha Fadista Liderados por Bernardo de Claraval, o Santo Templrio, os cistercienses iniciaram a sua ao procurando retomar o rigor da regra de S. Bento. Optaram por isso por rentabilizar a riqueza que a terra em volta dos seus mosteiros lhes oferecia, sem haver qualquer objetivo de obteno de lucros, mas apenas de atingir uma autonomia em termos de recursos alimentares. Os seus mosteiros foram desde o incio construdos em estilo despojado, austero e desprovido de ornamentos, conjugando esta opo de base com as caractersticas prprias do estilo gtico. Mas o que exatamente o estilo Gtico? A Arquitetura Normanda ou Romnica Os Maons da Normandia, que acompanharam Guilherme d'Orange durante a invaso da Inglaterra, possuam profundos conhecimentos no trabalho com a pedra. A sua habilidade, juntamente com a necessidade de defender os domnios recm-conquistados dos Saxes, levou os Normandos a levantar muitos castelos. O exemplo marcante a Torre Branca da Torre de Londres, que Guilherme d'Orange construiu dentro das defesas romanas da cidade. Na base, suas paredes tm 4,5 metros de espessura, terminando com 3,3 metros de espessura na sua parte superior. A construo de catedrais comeou logo que Guilherme se sentiu em segurana. O estilo romnico era macio, com arcos redondos e pesadas colunas, tambm redondas. As igrejas eram construdas em formato redondo, como por exemplo a Igreja do Templo, que os Templrios construram em Londres em 1185. Embora o seu exterior seja romnico, o seu interior j exibe o estilo gtico ogival de transio. Esta igreja escapou do incndio de Londres de 1666, mas perdeu a sua abbada durante o bombardeio alemo da II Grande Guerra. Refeita a abbada, o templo usado at hoje para servios religiosos. (Para no esquecer: neste templo se desenrola parte da histria do livro O Cdigo Da Vinci). Os Antigos Maons No final do sc. X, quando comeou o perodo de construo de catedrais, as Lojas Manicas foram formadas para garantir a organizao necessria durante a construo dos edifcios. A Igreja, o Rei ou o nobre que desejassem construir uma catedral, um castelo ou um palcio, empregavam um Mestre Maom que estabelecia a sua prpria organizao, e usualmente atuava como arquiteto e chefe geral da obra.

2. Este grupo de Maons construa uma estrutura temporria (canteiro de obras), que funcionava como local de armazenamento dos materiais e como local de administrao da construo. Nos primeiros tempos, este local era tambm usado como refeitrio e dormitrio dos obreiros, sendo ento chamado de Loja. No perodo inicial, a Loja era composta de Aprendizes, Companheiros e um Mestre. Os regulamentos e normas de trabalho, indispensveis durante a obra, eram ento escritas e norteavam a vida profissional e pessoal dos obreiros. O Manuscrito Cooke, escrito em 1430 d.C., menciona em detalhes as responsabilidades dos Mestres e dos demais obreiros. Alm destas leis, existiam os segredos que eram mantidos inviolveis em cada Grau da Instituio. Somente o Mestre conhecia e entendia todos os segredos, que eram principalmente o conhecimento das frmulas da Geometria e a capacidade de aplica-las nos projetos de arquitetura. Foi o trabalho destes Maons Operativos que desenvolveu e introduziu na Europa o estilo gtico, em substituio ao estilo romnico, o qual, por mais de 400 anos, foi o estilo predominante na maioria dos pases deste continente. Hoje, no mais Operativos, os Maons devem um preito de gratido e de reconhecimento queles Irmos que, pelo seu engenho e arte, deixaram todas as construes que tanto maravilham os olhos dos milhes de pessoas que os visitam e que sabem apreciar a excelncia do Estilo Gtico. Da a necessidade e o dever que todos ns, Maons de hoje, temos de conhecer os rudimentos deste que foi o estilo que mais influenciou a arte de construir em todo o mundo ocidental. A Arquitetura Gtica Os Godos, Visigodos e Ostrogodos, eram povos teutnicos, originrios da Sucia que, passando o mar Bltico, invadiram toda a Europa e migraram para o sul, estabelecendo-se na regio do mar Negro e do rio Danbio. Estas invases ocorreram entre os sculos III e V d.C., e estes povos, erroneamente considerados brbaros, atacaram e venceram o poderoso imprio romano, devastando a regio dos Blcs e do Mediterrneo. O estilo gtico predominou na construo de edifcios religiosos e seculares, na escultura, na decorao do vidro colorido, em iluminuras manuscritas e em todas as artes decorativas, desde cerca de 1140 d.C. at ao final do sculo XVI. Originalmente, o termo "gtico" era usado pelos escritores do Renascimento italiano para designar a arte e a arquitetura consideradas brbaras e que sucederam, na Idade Mdia, o antigo estilo romnico. A Idade Gtica considerada um das eras artsticas mais esplendorosas da Europa. A Arquitetura foi a principal expresso da 3. Idade Gtica. Emergindo na primeira metade do sculo XII, de antecedentes romnicos, a arquitetura gtica foi dominante at ao sculo XVI quando, junto com o Renascimento, apareceram outros estilos. Apesar da grande quantidade de monumentos seculares construda no estilo gtico, este estilo foi utilizado principalmente pela Igreja, o maior construtor da Idade Mdia, quando o gtico evoluiu e atingiu a sua plenitude. A caracterstica mais distintiva da arquitetura gtica o seu tipo de abbada, feita em arcos cruzados, que, em combinao com arcos transversais, se apiam nas colunas de alvenaria que suportam a abbada. Embora as igrejas gticas tivessem, desde logo, assumido uma grande variedade de formas, a construo de uma srie de grandes catedrais no norte da Frana, iniciada na segunda metade do sculo XII, tirou proveito da nova abbada gtica. Os arquitetos das catedrais acharam que, como as foras externas das abbadas estavam concentradas em pequenas reas, estas foras poderiam ser suportadas por contrafortes e arcos externos, os chamados contrafortes voadores. Por conseguinte, as grossas paredes da arquitetura romnica poderiam ser, em sua grande maioria, substitudas por paredes finas, o que proporcionou a abertura de janelas e favoreceu a iluminao do interior das catedrais. Alm disso, os espaos interiores tambm puderam alcanar alturas sem precedentes, permitindo assim a construo de mais duas naves laterais, juntamente com a nave central das igrejas. Deste modo, ocorreu uma verdadeira revoluo na tcnica e no estilo arquitetnico. O plano geral das catedrais, porm, que consiste basicamente em trs longas naves, interceptadas por um transepto, por um coro e por um altar-mor, difere muito pouco do antigo estilo romnico. A Catedral de Santiago de Compostela, a parte externa da Igreja do Templo, em Londres, e o Batistrio e a Torre de Pisa, so excelentes exemplares do estilo romnico. Na Catedral de Santiago de Compostela, construda entre os sculos IX e XII, apenas o conjunto de esculturas recebeu a influncia do novo estilo gtico. (Para no esquecer: se voc visitar a catedral, no deixe de dar um abrao - por trs - no So Tiago que est no altar. Dizem que d sorte) As novas catedrais mantiveram e ampliaram o formato da parte oriental das catedrais romnicas francesas, (onde fica o altar-mor) que inclui o corredor semicircular conhecido como o ambulatrio, as capelas radiais, e a alta abside poligonal (s vezes quadrada) que cerca o altar-mor. A nave gtica central e o coro so igualmente de procedncia romnica. 4. Naves - Abbadas - Janelas - Rosceas - Arco Ogival Quando se compara um templo romnico com um gtico, verifica-se de imediato a maior altura e graciosidade deste estilo. As naves dos templos gticos so muito mais altas. Havia a necessidade de abrir janelas nas paredes e, para isso, era necessrio aliviar o seu peso, fazendo-as mais finas, concentrando as cargas das abbadas em determinados pontos, fazendo com que as paredes deixassem de receber os esforos de sustentao das abbadas. Isto permitiu a abertura das janelas. A maior altura da nave central deve-se ao fato de que as suas janelas so abertas por cima das naves laterais, permitindo assim a iluminao natural da nave central. O uso de arcos ogivais em diagonal permitiu direcionar o peso das abbadas para os contrafortes, que por sua vez descarregam estas presses no solo. Para isso, foi fundamental a adoo do arco ogival, que recebe mais diretamente as presses exercidas pelo teto. No estilo gtico, os contrafortes no so mais as colunas internas encostadas (adinteladas) nas paredes, mas so erguidas na parte exterior das naves laterais. O segmento de arco que recebe a presso exercida pelo peso da abbada e que a transmite ao contraforte, chama-se arcobotante. O arcobotante recebe a presso da abbada e se apia no contraforte. Assim, no templo gtico existe uma srie de foras em equilbrio, que se compensam umas s outras. Os contrafortes e os arcobotantes so os elementos que sustentam todo o edifcio. As catedrais de Leon e de Valncia - Espanha, a catedral de Notre Dame - Paris, e Reims - Frana, mostram claramente estas estruturas, com seus contrafortes voadores e seus arcobotantes. No gtico, as janelas so to grandes que reduziram o edifcio a um simples esqueleto de pedra, fechado por janelas. Estas janelas so, forosamente, ogivais. Uma outra soluo subdividir a abertura em dois arcos ogivais mais reduzidos, encimados por uma pequena roscea. A Fachada das Catedrais A fachada principal das igrejas gticas delimitada por duas torres que partem da base das naves laterais. Estas torres so perfuradas por janeles e galerias porticadas e rematadas por campanrios, normalmente terminados em agulha. No meio das duas torres situa- se a roscea, imenso crculo que deixa passar a luz em sentido longitudinal, iluminando o altar-mor ao fundo da igreja. Esta roscea pode ser aberta diretamente na parede ou enquadrada por um arco ogival. A arcaria que rodeia a roscea constitui mais um elemento decorativo, servindo tambm para delimitar as diferentes partes do vitral ilustrado, ali colocado. No seu conjunto, a fachada gtica divide-se em trs partes horizontais: a inferior ou base, onde esto as trs