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Conclusão de curso de Artes Visuais

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ARTESANATO POPULAR E A EDUCAO EM ARTE

Rosely Pinto Padilha Prof. Orientador Adriane Margareth Martin Centro Universitrio Leonardo da Vinci UNIASSELVI Artes Visuais Trabalho de Graduao 20/10/2012RESUMO

Este trabalho refere-se ao artesanato popular e a educao em arte. O artesanato tem como caractersticas a confeco manual, a funcionalidade, a produo em srie artesanal, a inteno decorativa, o carter do objeto e a durabilidade. As peas devem ser feitas com ferramentas produzidas pelo arteso e os materiais utilizados devem ser da prpria regio onde reside e trabalha. Deve-se preservar a cultura do povo e assumir a responsabilidade da identidade expressa no prprio trabalho servio do ser humano. Na educao o artesanato tem o seu espao por ser acessvel e considerada popular inclusive como preservao cultural e social.Palavras-chave: Artesanato. Popular. Escola.

1 INTRODUO

A rea de concentrao escolhida para elaborar o projeto refere-se ao Ensino e Aprendizagem em Artes Visuais abordando as mais variadas linguagens dentro da temtica: Artesanato Popular Brasileiro no Contexto Escolar. O artesanato est ligado diretamente com a histria do homem, devido a necessidade de produzir objetos para uso dirio e adornos, foi quando ele aprendeu a polir a pedra, a fabricar a cermica e a tecer fibras animais e vegetais. Os ndios foram os primeiros artesos brasileiros, usavam a arte da pintura, usando pigmentos naturais, a cestaria e a cermica e os adornos feitos com plumas e penas de aves. O artesanato classificado como popular, erudita e folclrico, podendo ser manifestado de vrias formas e o brasileiro um dos mais ricos em diversidade do

mundo. O artesanato faz parte do folclore e revela usos, costumes, tradies e caractersticas de cada regio do pas. "Artesanato toda a atividade produtiva que resulte em objetos e artefatos acabados, feitos manualmente ou com a utilizao de meios tradicionais ou rudimentares, com habilidade, destreza, qualidade e criatividade. (Celso Perota. Impactos do artesanato sobre o turismo no Esprito Santo SEBRAE Consideram-se como arteso aquele que, atravs da sua criatividade e habilidade, produz peas de barro, palha, tecido, couro, madeira, papel ou fibras naturais, matrias brutas ou recicladas, visando produzir peas utilitrias ou artsticas. Ele trabalha sozinho ou com assistentes fazer peas nicas ou trabalhos em srie, contando ou no com a ajuda de ferramentas ou algum tipo de mecanismo rudimentar. So talhadores, gravadores, escultores, pintores, ceramistas, rendeiras, bordadeiras, tecels, aqueles que criam instrumentos musicais, bijuterias e peas de madeira para uso dirio, cestas, gamelas, colchas de retalhos e brinquedos, entre outras coisas o trabalho do arteso. Em muitos casos, quando os objetos produzidos no tm um carter utilitrio e so feitos apenas para ser apreciados, podem ser confundidos com a arte. Muitas famlias e comunidades sobrevivem do seu artesanato o que quase sempre no reconhecido o seu valor, mas esto se unindo em associaes com incentivo governamental ou no. Hoje podemos dizer que os artesos brasileiros esto se destacando no mercado internacional com seus produtos de decorao e de vesturio. Dentre a infinita gama de tipos de artesanato existentes no Brasil, alguns recebem maior destaque.

2 FUNDAMENTAO TERICA

Muito se discute sobre o que arte e o que artesanato, a bem da verdade que o meio em que vivemos com uma diviso entre a cultura popular e a cultura erudita e o artesanato se encaixa na cultura popular. Toda discusso sobre fronteiras entre arte e artesanato, Entre artista e arteso, a partir do discurso dominante, carece de sentido dentro da perspectiva do indivduo que exerce essa atividade pois ele raramente separa a instncia do trabalho manual ou 1985: 10) Todo artista e arteso aplicam em suas obras a sua realidade de vida e os seu sentimento social e pessoal. Todo inventor, por genial que seja, sempre produto da sua poca e do seu ambiente (VYGOSTKY, 2009, p. 35), onde cada inventor produz a princpio partindo do que j conhece ou at fazendo uma releitura de obras conhecidas. Diferentemente da obra erudita o artesanato considerado de classe popular, portanto sem muito reconhecimento ou valor financeiro. [...] h um enorme desnvel de prestgio e de poder entre essas profisses, decorrentes da concepo generalizada em nossa sociedade de que o valor intelectual superior ao material. Embora essa separao entre modalidades de trabalho tenha ocorrido num momento preciso da histria e se aprofundado no capitalismo, como decorrncia de sua organizao interna, tudo se passa como se fazer fosse um ato dissociado de saber. Essa dissociao entre fazer e saber, embora a rigor falsa, Bsica para a manuteno das classes sociais, pois ela justifica que uns tenham poder sobre o labor dos outros. (ARANTES, 1988, p 13 e 14). O artesanato tem como caractersticas a confeco manual, a funcionalidade, a produo em srie artesanal, a inteno decorativa, o carter do objeto e a durabilidade. mecnico (artesanal) do trabalho intelectual e confere a ambos igual dignidade. (Porto Alegre,

As peas devem ser feitas com ferramentas produzidas pelo arteso e os materiais utilizados devem ser da prpria regio onde reside e trabalha. Em se tratando de artesanato dentro do contexto escolar, pode-se dizer que um forte aliado no processo de aprendizagem tanto culturalmente onde h o conhecimento da cultura popular brasileira quanto na recriao desse artesanato dentro de sala de aula. Os amantes da arte do trabalho feito a mo e que observa de perto a sua evoluo se d conta do quanto cresce o uso de artesanato na decorao em todos os lugares nas casas mesmo em ambientes muito requintados, as peas de artesanato de boa qualidade vem ocupando pouco a pouco o seu espao. Atualmente a mistura de estilos vem favorecendo o uso do artesanato nas decoraes, que ficam mais aconchegantes com uma pea feita mo, podendo ser feita nas salas de aula e enfeitar as casas ou as prprias escolas, tornando assim os alunos orgulhosos e incentivados a fazer um trabalho cada dia melhor. Ainda hoje muitos profissionais ainda veem com preconceito a mistura de artesanato com arte, porm a grande maioria dos profissionais em arquitetura e decorao rendeu-se a importncia dessa mistura pois no tem como lutar contra tendncias desse tipo. Os artesos procuraram no ficar parados no tempo produzindo sempre o mesmo tipo de trabalho e foram em busca de novos conhecimentos tcnicos e passaram a fazer uso dos conceitos bsicos de harmonia que devem reger formas e cores, se deram bem chegando a muitos casos a serem considerados verdadeiros artistas.

2.1 CERMICA A tcnica da utilizao da cermica consiste na atividade de fabricar objetos artsticos, utilitrios ou mistos, utilizando a argila como matria prima que depois de modelada, deve ser queimada com a finalidade de que os objetos adquiram suas caractersticas definitivas, que seriam: estticas, de colorao e resistncia.

A prtica da cermica divide-se em trs reas principais: Modelagem, Escultura e Painis Cermicos. A modelagem cermica todo tipo de objeto grande e pequeno como cinzeiros, vasos, vasilhas, adornos, sendo a maior parte da produo em cermica. A produo de utilitrios se desenvolve, em grande parte, atravs de mtodos industriais ou artesanais, como por exemplo: colagem em moldes de gesso, prensagem industrial, fabricao atravs de torno. A cermica de uso arquitetnico para fabricao de revestimento, azulejos, decorao de interiores, mveis, se constituem em valorosos auxiliares de uma infinidade de indstrias e tcnicas: a Astronutica, a odontologia, a engenharia e a arquitetura, as engenharias qumicas, eltricas e vrias outras utilidades. No processo de produo artesanal muitas vezes uma pea no precisamente igual outra, pois o mtodo de trabalho exclusivamente manual. Podemos perceber a criatividade, emoo empregada em cada pea. Podemos considerar a criatividade um potencial essencial ao ser humano e a realizao deste potencial uma de suas necessidades. A natureza criativa do homem se estrutura no contexto cultural. J que todo individuo se desenvolve em uma realidade social, cujas necessidades e valores culturais se moldam o prprio valor da vida. Podemos ver os bonecos de barro feitos no Nordeste que reconstituem figuras tpicas da regio, retirantes, vendedores, msicos e rendeiras. O mais famoso o pernambucano Mestre Vitalino, ele deixou muitos discpulos e seguidores na arte da cermica. Destacam-se em vrios outros estados a produo de cermica figurativa retratando o cotidiano do seu povo destacando assim as razes culturais e a prpria histria.

J a cermica utilitria feita da mesma matria prima com um fim diferente, pode-se guardar mantimentos como as panelas das Paneleiras de Goiabeiras, onde a tcnica passada de gerao para gerao.

2.2 RENDAS E BORDADOS De origem portuguesa e de colonos aorianos, esta tcnica um trabalho tradicional de vrios pontos do litoral brasileiro, as tcnicas so passadas de me para filha e alguns motivos so exclusivos de uma famlia, mesmo no sendo originalmente brasileiro, tornou-se um produto local. A renda e o bordado esto presentes em roupas, lenis, toalhas e outros artigos e tm um importante papel econmico nas regies Norte, Nordeste e Sul do Brasil.

2.2.1 Rendas

A renda de bilro uma atividade feminina praticada geralmente em casa. Surgiu provavelmente do bordado, porm diferente deste porque trabalha com pontos no ar, sem tecido. de grande importncia na economia domstica e social da populao catarinense j que onde h redes h rendas e no s no litoral catarinense como em quase todo o litoral brasileiro encontram-se rendeiras. As rendeiras da Ilha de Santa Catarina, na sua maioria, descendem de portugueses da Ilha dos Aores, tradicionalmente herdaram dos seus antepassados a arte de executar rendas e o material utilizado na confeco de rendas composto de fios, bilros de madeira, almofada cilndrica, alfinetes e