Palha§o - Um Mediador Cultural Ou Um Personagem Em Extin§£o - Uma Anlise Sobre o...

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  • FACULDADE DE TECNOLOGIA E CINCIAS SOCIAIS APLICADAS FATECSCURSO: COMUNICAO SOCIAL

    HABILITAO: JORNALISMO

    MARIA KARINA SIMO DA ROCHA

    PALHAO: UM MEDIADOR CULTURALOU UM PERSONAGEM EM EXTINO?

    Uma anlise sobre o arqutipo do palhao

    BRASLIA2011

  • MARIA KARINA SIMO DA ROCHA

    PALHAO: UM MEDIADOR CULTURALOU UM PERSONAGEM EM EXTINO?

    Uma anlise sobre o arqutipo do palhao

    Monografia apresentada ao Curso deComunicao Social do Centro Universitriode Braslia UNICEUB, como requisitoparcial para obteno da graduao deBacharel em Jornalismo.

    Orientadora: Professora Cludia Busato

    BRASLIA2011

  • Quem ri por ltimo, ri atrasado.

    Millor Fernandes

  • Dedico

    Este trabalho aos meus pais,Joo e Luiza,

    assim como, de forma especial, memria do meu amado irmo Jos Wilson.

  • Agradeo

    a Deus, em primeiro lugar,pela sade e sabedoria com que me permitiu realizar esta tarefa;

    aos meus Pais, Joo Higino Rochae Luiza Simo Rocha por terem me ensinado o valor da vida.

    Professora Cludia Bisato,a quem me proporcionou enorme tempo de sua ateno

    Professora Ana Paula Ferrari,por ter sido uma grande incentivadora na escolha deste tema;

    a todos os meus irmos,Diana, Adriano, Pedro Henrique, Adriana, Ana Lcia, Antnio Edilson e Francisco Antnio,

    que de alguma forma me ajudaram e compreenderam minha ausncia.Em especial ao meu irmo Edilson Rocha, que me ajudou em momentos conturbados.

    Ao meu noivo, Jos Cludio, pelos momentos de compreenso e apoio.Aos amigos que fizeram parte desta conquista, especialmente Francisco Ucha, por tanto ter

    insistido e acreditado em meu potencial;Ao Vilmar Delfino pela ateno;

    Ao Marcos Frota e o palhao Plim Plim por terem dispensado tempo e ateno durante asentrevistas;

    minha amiga Nenzinha,que mesmo de longe participou das minhas dificuldades;

    Lourdes Sanches, pela preocupao e dedicao;Paulo Emlio, por ter me apoiado nos momentos mais difceis;

    e Alice Calyvas, sem palavras.A todos vocs, o meu muito obrigada.

    A conquista no s minha,mas de todos que estiveram ao meu lado.

  • RESUMO

    Esta pesquisa tem como objetivo realizar uma pesquisa qualitativa de forma aanalisar o arqutipo do palhao, com vistas a investigar se esse seria um mediadorsocial da cultura ou se mesmo um personagem em extino. Dentro destequestionamento vale dizer que como caractersticas de imagem, o palhao seapresenta como uma personalidade arquetpica, cuja sabedoria repassada degerao em gerao, o jeito desengonado, o nariz vermelho, os gritos e gestosexagerados, a simplicidade, o improviso, o talento para fazer o outro rir so suasmarcas exclusivas. Fala-se do indivduo que ator e ser humano ao mesmo tempo;daquele que nas ruas, praas e sob lonas de circos leva alegria e riso populao.Esta pesquisa apresenta entrevistas com o ator e empresrio de circo Marcos Frota,com o Palhao Plim Plim e com a psicloga junguiana Andrea Meirelles. Estetrabalho mostrou que a cultura de um povo no medida apenas pelo muito que sel ou se escreve, mas podendo sim, ser na figura do palhao, um indicador dacultura, porque a escrita feita sem rabiscos em papel. A pesquisa conclui que tudoo que se pensa e se encena objeto de assimilao visual, isto , esse artistateatraliza situaes cotidianas de forma objetiva, ldica, humorstica, crtica, sendocapaz de promover a descontrao no receptor, e ainda provocar momentosinusitados de interpretao.

    Palavras-Chave: Palhao, Lonas de Circos, Alegria e Riso, Artista, Interpretao.

  • SUMRIO

    INTRODUO .........................................................................................................................8

    1 UM BREVE HISTRICO SOBRE O RISO E SOBRE O CIRCO .............................111.1 Histrico sobre o Riso............................................................................................111.2 O Circo........................................................................................................................15

    1.2.1 Psiclogos do Trnsito .....................................................................................20

    1.2.2 Doutores da Alegria............................................................................................21

    1.2.3 Doutores Palhaos ............................................................................................21

    2 ARQUTIPOS E SMBOLOS DO PALHAO .............................................................242.1 O que so Arqutipos? ..........................................................................................242.2 Arqutipos do palhao ............................................................................................26

    2.2.1 A origem do nariz vermelho a partir do termo Augusto .................................27

    3 MEDIAO O PALHAO COMO MEDIADOR DA CULTURA............................32

    4 O PALHAO EM ENTREVISTA ....................................................................................344.1 Entrevistando Marcos Frota .................................................................................344.2 Entrevistando o Palhao Plim-Plim ....................................................................384.3 Entrevistando a Psicloga Andra Meirelles ...................................................42

    CONSIDERAES FINAIS.................................................................................................45

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS ..................................................................................47

    APNDICE 1 ..........................................................................................................................49

    Entrevista: Marcos Frota ...................................................................................................49

    APNDICE 2 ..........................................................................................................................53

    Entrevista: Palhao Plim-Plim..........................................................................................53

    APNDICE 3 ..........................................................................................................................56

    Entrevista: Andrea Meirelles Psicloga .....................................................................56

  • 8INTRODUO

    O palhao um personagem cultural cuja sabedoria repassada de gerao

    em gerao, o jeito desengonado, o nariz vermelho, os gestos exagerados, asimplicidade, o improviso, o talento para fazer o outro rir so suas marcas

    exclusivas. Fala-se aqui do indivduo que , ao mesmo tempo, ator e ser humano.

    Daquele que nas ruas, praas e sob lonas de circos leva alegria populao. O

    arqutipo do palhao est presente na experincia do indivduo e da cultura.

    Portanto, os arqutipos dizem respeito a algo que comum e universal,

    podendo ser considerados como parte herdada da psique e percebidos em

    comportamentos externos, sobretudo nascimento, casamento, maternidade, morte e

    separao, os quais giram em torno de experincias bsicas e universais da vida.

    Esta pesquisa pretende mostrar que a cultura de um povo no medida

    apenas pelo muito que se l ou se escreve. Vai alm. Diante da figura de um

    palhao a leitura outra, porque a sua escrita feita sem rabiscos em papel. Tudo o

    que se pensa e se encena objeto de assimilao visual e emotiva. Ou seja: esse

    artista teatraliza situaes cotidianas de forma ldica, humorstica, crtica, sendo

    capaz de promover a descontrao no receptor, bem como provocar momentos

    inusitados de interpretao.

    Nesse sentido, a pergunta-problema a ser respondida neste estudo :

    O palhao ainda um mediador da cultura no espao social?

    Em princpio, pode-se dizer que, ir a um circo ou teatro palco de culturas

    milenares para se descontrair e rememorar ritos sociais reorganiza a experincia

    cotidiana em um mundo cada vez mais mediado pelas imagens miditicas e tomado

    pela desterritorializao das vivncias locais. Por esta razo acredita-se que o

    palhao seja um microcosmo do humano. Um importante agente no processo da

    comunicao presencial. Ele a teoria posta em prtica. Na maioria das vezes,

    quando nem mesmo uma palavra dita, sua comunicao faz eco no eu de cada

    indivduo.

  • 9O palhao medeia as relaes do espectador com o mundo que o rodeia: os

    acontecimentos do cotidiano, as questes de gnero, os eventos e absurdos da

    poltica, so alguns exemplos do contedo das mensagens e consequente

    interpretao do pblico. A prpria etimologia do verbo mediar sugere a palavra

    meio, ou meio de comunicao. Como as vrias mdias sem fio e sinais eletrnicos

    digitais que circulam e tecem o fio da vida social, o palhao parte da vida simblica

    de uma cultura. Assim, esta pesquisa v o personagem palhao como um meio para

    se chegar ao outro, transmitindo a cultura popular e os valores sociais essenciais,

    experincia humana atravs da alegria e das cores no jeito de vestir e maquiar, no

    uso oblquo das palavras, na ironia e suspenso das expectativas.

    Por outro lado, esses artistas andam cheios de motivos para acumular

    tristezas. A figura do palhao ocupou um lugar cativo no imaginrio social h

    sculos, porm, mais recentemente, na boca do povo visto como ndice de

    banalidade, jocosidade, negativismo comportamental, dentre outros significados

    pejorativos. A banalizao da figura colorida, engraada, exuberante, bonita,

    mgica, no seria o sintoma da perda dos laos sociais e locais pelo indivduo

    contemporneo?

    Este estudo tem como objetivo geral apresentar, por meio de levantamento

    bibliogrfico, uma identidade do palhao como me