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  • PROJETO: PRESTAO DE SERVIO DE REALIZAO DE ESTUDO TCNICO SOBRE A CADEIA PRODUTIVA AUTOMOTIVA DO MUNICPIO DE DIADEMA

    NMERO DO CONTRATO: 274/2005

    TEMA: CADEIA PRODUTIVA AUTOMOTIVA DO MUNICPIO DE DIADEMA

    OBJETIVO DA CONSULTORIA: ELABORAO DE ESTUDO VISANDO SUBSIDIAR A ORGANIZAO DE UMA BASE DE INFORMAES E A

    PRODUO DE MATERIAL DE DIVULGAO SOBRE O PERFIL DA CADEIA

    AUTOMOBILSTICA DO MUNICPIO DE DIADEMA

    NMERO DE PRODUTOS ELABORADOS: 5/5

    PRODUTO 5 DIAGNSTICO DA CADEIA AUTOMOBILSTICA EM DIADEMA: O SETOR PLSTICO

    NOVEMBRO DE 2006

  • Projeto: Prestao de Servios de Realizao de Estudo Tcnico sobre a Cadeia Produtiva Automotiva do Municpio de Diadema

    DIEESE - Produto 5

    2

    SUMRIO

    APRESENTAO 03 1. CARACTERIZAO DO SETOR PLSTICO NO BRASIL 04 1.1. 1 E 2 GERAO DA INDSTRIA PETROQUMICA NO BRASIL. 05 1.1.1 PRODUTOS DA 2 GERAO 07

    1.2. SETOR PLSTICO OU INDSTRIA DE TRANSFORMAO PLSTICA (3 GERAO) 10 1.2.1 PROCESSOS DE PRODUO 18

    1.2.2 REESTRUTURAO PRODUTIVA DO SETOR E O FRUM DE

    COMPETITIVIDADE DO COMPLEXO QUMICO DA CADEIA PRODUTIVA DO PLSTICO

    20

    1.2.3 O SETOR PLSTICO NA CADEIA AUTOMOBILSTICA (AUTOPEAS) 23

    2. O SETOR PLSTICO LIGADO CADEIA AUTOMOBILSTICA NO MUNICPIO DE

    DIADEMA

    25

    2.1. ANLISE DOS ESTABELECIMENTOS 25

    2.2. ANLISE DO MERCADO DE TRABALHO 28

    2.3. ANLISE QUALITATIVA DOS QUESTIONRIOS COM AS EMPRESAS

    ENTREVISTADAS

    42

    2.3.1 CARACTERIZAO DA EMPRESA 42

    2.3.2 RELAES DE FORNECIMENTO 43

    2.3.3 PRODUO, TECNOLOGIA E INVESTIMENTOS 44

    2.3.4 DESENVOLVIMENTO DO PRODUTO 46

    2.3.5 MO-DE-OBRA 46

    2.3.6 INFORMAES GERAIS 47

    2.4. OFICINAS COM OS ATORES 48

    2.4.1 OFICINAS COM OS EMPRESRIOS 48

    2.4.2 OFICINA COM OS TRABALHADORES 51

    3. CONCLUSES 53

    BIBLIOGRAFIA 58

    ANEXO I: CDIGOS CNAE (CLASSIFICAO NACIONAL DE ATIVIDADE ECONMICA)

    UTILIZADAS DO RELATRIO

    61

    ANEXO II: PRINCIPAIS POLMEROS UTILIZADOS NA INDSTRIA AUTOMOBILSTICA E

    SUAS APLICAES - EXTRADO DE HEMAIS (2003)

    64

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    DIEESE - Produto 5

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    APRESENTAO

    Este relatrio o quinto produto a ser entregue pelo Departamento Intersindical

    de Estatstica e Estudos Socioeconmicos DIEESE relativo ao convnio firmado

    com a Prefeitura do Municpio de Diadema, por intermdio da Secretaria de

    Administrao, sob o contrato de n 274/23005, cujo objetivo a realizao de um

    diagnstico da cadeia automobilstica no municpio de Diadema.

    No presente documento est contido o segundo relatrio setorial do projeto, o do

    setor plstico (que parte integrante da cadeia automobilstica) e est estruturado em

    trs partes:

    1. Uma descrio, em linhas gerais, do setor de plstico no pas;

    2. O diagnstico propriamente dito, contextualizando a cidade de Diadema com a

    regio do grande ABCD, analise das empresas do setor no municpio e do mercado

    de trabalho (com dados gerais e os resultados do trabalho de campo com a visita s

    empresas);

    3. As concluses, baseadas nas anlises dos tpicos anteriores.

    Como anexos do relatrio a descrio dos cdigos da Classificao Nacional de

    Atividade Econmica (CNAE) utilizadas no trabalho (ANEXO I) e os principais

    polmeros utilizados na indstria automobilstica e suas aplicaes (ANEXO II).

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    1. CARACTERIZAO DO SETOR PLSTICO NO BRASIL

    Os plsticos so materiais orgnicos polimricos de origem sinttica, que tem

    como principal caracterstica a grande maleabilidade, que faz com que suas aplicaes

    sejam as mais diversas possveis, de peas para automveis a brinquedos, de cortinas a

    sapatos, entre muitas outras aplicaes. Alm disso, so materiais que apresentam

    grandes possibilidades de substituir outros materiais, como ao, por exemplo, j que o

    plstico teria a vantagem de ser mais leve e resistente corroso, por exemplo. Tem

    como matria-prima bsica s resinas derivadas da nafta ou o gs natural (de uso mais

    recente).

    O setor plstico (ou de transformao plstica) a ponta de uma cadeia

    produtiva mais ampla (a petroqumica), com um conjunto de processos organizados em

    trs geraes industriais: a 1 gerao, com a indstria petroqumica bsica; a 2

    gerao, que so os produtores de resinas termoplsticas e a 3 gerao, composta pela

    indstria de transformao plstica.

    A base do ciclo de produo do plstico o setor petroqumico, que produz a

    nafta, matria-prima bsica para a produo de material plstico, a partir da extrao e

    refino do petrleo; tambm tem sido usados o gs natural e o gs de refinaria.

    A nafta produzida nesta fase vai alimentar a indstria da 1 gerao, onde as

    centrais petroqumicas, atravs do processo de craqueamento, decompem a nafta (ou

    tambm o gs natural) e produzem o eteno, o propeno, o butadieno, o tolueno e os

    xilenos, que por sua vez so utilizados na fabricao dos insumos intermedirios, entre

    eles o dicloretano, o etilbenzeno, o cido tereftlico (TPA), o dimetilreftalato (DMT), o

    estireno e os etilenoglicis.

    Na 2 gerao, os insumos bsicos e intermedirios produzidos na gerao

    anterior do origem cadeia de polmeros (que se dividem em termoplsticos e

    termofixos), por meio de uma reao chamada polimerizao. Esses polmeros so a

    base para a produo de diferentes tipos de resinas, como polipropilenos e polietilenos.

    Aps essa fase, j no setor de transformao (a 3 gerao), as resinas produzidas

    na fase anterior so transformadas em vrios produtos plsticos, atravs dos processos

    de injeo, extruso e sopro. A descrio completa do processo encontra-se na figura a

    seguir:

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    DIEESE - Produto 5

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    FIGURA 1

    Fluxograma do ciclo de produo do plstico

    Fonte: DIEESE (2005)

    Dessa forma, todas as resinas produzidas na 2 gerao tm destinao para a 3

    gerao e principalmente vo definir sua aplicao e conseqentemente seu uso final.

    1.1. 1 e 2 gerao da indstria petroqumica no Brasil.

    A 1 e 2 gerao da indstria petroqumica responsvel pela produo dos

    insumos bsicos (eteno, propeno, entre outros) e os intermedirios (polmeros)

    respectivamente. No Brasil, a consolidao das 1 e 2 gerao aconteceu entre a dcada

    de 60 e 70, com o surgimento das grandes centrais petroqumicas (a Petroqumica

    Unio, a Copesul e a Copene), j que anteriormente existiam apenas unidades isoladas

    produzindo poucos tipos de polmeros.

    Essas centrais petroqumicas foram instaladas segundo a poltica de substituio

    de importaes e de forma tripartite, ou seja, com parte da composio acionria

    pertencente Petroquisa (empresa do governo), parte com empresas de capital privado

    PETRLEO

    NAFTA OU GS NATURAL

    PETROQUMICOS BSICOS E INTERMEDIRIOS

    RESINAS TERMOPLSTICAS: PP, PET, PS, PVC...

    INDSTRIA DE TRANSFORMAO PLSTICA: PRODUTOS PLSTICOS

    DIVERSOS

    1 G E RA O

    2 G E R A O

    3G E R A O

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    nacional e parte com empresas de capital estrangeiro (que geralmente detinham a

    tecnologia que iria ser aplicada), sendo que essas centrais petroqumicas eram

    basicamente empresas monoprodutoras que tinham como principal objetivo tecnolgico

    adaptao de tecnologias de deteno de empresas estrangeiras.

    Na dcada de 1980 e principalmente nos anos de 1990 o setor petroqumico

    passou por um grande processo de privatizao com a consolidao de grupos nacionais

    no controle acionrio das empresas e um movimento intenso de fuses e aquisies.

    Com a queda das alquotas de importao e dentro de uma nova configurao

    concorrencial, as empresas do setor tinham a necessidade de se tornarem mais

    competitivas, aumentando escalas de produo (para gerarem economias de escala) e de

    investimentos em desenvolvimento tecnolgico, pois segundo Coutinho (2002), a

    indstria petroqumica (principalmente a 2 gerao, ou as fabricantes de resinas) um

    setor que se caracteriza por ser intensivo em capital e em P&D.

    Dentro desta necessidade de reestruturao, foi criada no ano de 2002 a

    Braskem, a maior empresa petroqumica da Amrica Latina, atuando tanto na 1 como

    na 2 gerao e que passou a controlar, entre outras, a Copene, central petroqumica do

    Plo de Camaari.

    Devido a processos como o que ocorreu com a Braskem, o setor petroqumico

    brasileiro passou a ter como caracterstica principal maior grau de concentrao. Uma

    ilustrao disto que, de acordo com o Anurio da Associao Brasileira da Indstria

    Qumica (ABIQUIM) do ano de 2004, o mercado brasileiro de resinas termoplsticas

    (2 gerao) era controlado por 15 empresas (entre elas a prpria Braskem, a Polibrasil,

    Dow, Basf e a Solvay), que tiveram um faturamento lquido anual de aproximadamente

    US$ 6,5 bilhes.

    Outra caracterstica tambm importante na 1 e 2 gerao a sua proximidade

    geogrfica, o que permitiu a constituio de